Contexto

Português condenado por downloads ilegais

A situação não é complicada: de um lado, temos as editoras e alguns músicos que estão contra o download ilegal de música; do outro, temos uma comunidade gigantesca e alguns músicos que o fazem. Sem pretender entrar em falsos moralismos ou coisas do género, isto é uma área que me importa muito, por fazer rádio em part-time. Claro que descarregar música ilegalmente é crime, não o nego. Claro que temos um IVA sobre os cd’s excessivamente alto? Claro. Se compraria mais cd’s? Era capaz.

Tomei como princípio apenas comprar cd’s de bandas ou artistas portugueses. Por um lado, porque considero que há boa música e porque assim contribuo para que esses artista possam prosseguir as suas carreiras. Por outro, são cd’s com um preço acessível: rondam os 10€, substancialmente mais baratos que um cd de, digamos, 18€, que julgo ainda ser o habitual.

Ora, o advento da Internet veio trazer uma confusão desgraçada no que toca a direitos de autor. As editoras viram na Web uma ferramenta de divulgação fenomenal, ao mesmo tempo que assistiram ao declínio nas compras de cd’s.

Fiquei curioso, e fui até à página da Audiogest, uma das empresas responsáveis pelo combate contra o download ilegal, e encontrei alguns depoimentos de alguns artistas da nossa praça. Reproduzo alguns:

“Roubar a música é matar a música. Sempre que sacas uma música estás a contribuir para que os nossos concertos acabem.” D’zrt

“A Internet e as novas tecnologias digitais parecem funcionar a favor dos consumidores, fornecendo-lhes, a custo zero, serviços e bens que, na realidade, deveriam ser remunerados.” Pedro Abrunhosa

“Será justo que na nossa sociedade, todo o trabalho seja remunerado excepto o trabalho dos autores, dos editores e dos artistas? Parece-me que não. A música que não é paga não se pode alimentar.” Tim

“Nos dias que correm a Internet é ao mesmo tempo o inimigo do artista e um seu poderoso aliado.” Tiago Bettencourt

“Querem música comprem-na. Quando precisas de uma calça nova, de certeza que não entras pela loja dentro e roubas a calça.” Boss AC

Pois bem, alguns artistas colocam a tónica na não remuneração. A ideia que eu tenho é que, hoje, como nunca antes, existe uma proliferação enormíssima de concertos. vejamos: cá, na época que vai de Maio a Setembro, temos no mínimo 10 festivais de projecção internacional/nacional, temos no mínimo 10 cidades com uma programa cultural intenso e regular, temos no mínimo 15 salas de concertos de médio porte… Nunca como hoje foi tão fácil chegar à música, e não falo apenas pelos downloads ilegais. Há inúmeras bandas, algumas com excepcional valor, que dão inúmeros concertos, em inúmeras salas, com bilhetes, em média, a custarem 10 euros. Não remunerados, os músicos não ficam. Até porque em Portugal, o hábito de comprar cd’s ou lp’s nunca foi muito vincado. A frase mais certeira que li no site da Audiogest foi pronunciada pelo Tiago Bettencourt: a Internet que lhes rouba compradores de cd’s, é aquela que divulga o seu trabalho como nunca antes e de outra forma impossível, e é aquela que enche os seus concertos.  A frase mais ridícula é a dos D’zrt. Enfim, continuarei esta dissertação futuramente.