Contexto

Espinho Beach Party e IURD compra antigo CineTeatro

São raras as ocasiões em que as palavras “cultura” e “Espinho” juntam-se numa mesma frase. Há alturas em que elas coexistem, não nego, bastando referir o Festival Internacional de Música de Espinho, o Cinanima, o TucáTulá e mais uma ou outra coisa. Também não é uma cidade com muitas infra-estruturas decentes e dignas para a prática cultural. E aqueles que existem, ou são sub-aproveitados (muitas vezes por obstáculos camarários e não por falta de agentes culturais) ou são deixados ao abandono, que é o que se passou com o CineTeatro São Pedro, durante largos anos espaço que albergou a sala de cinema onde eu perdia horas. Foi sala de cinema, sala de concertos, sala de ballet, sala de tudo o que aparece. Tinha excelente condições, com um palco que permitia diversas utilizações, ao contrário de outros anfiteatros cá do burgo (o do Multimeios, o da Junta e o do FACE, que é R I D I C U L O).

Nos últimos tempos, o referido espaço foi tomado pela IURD, que assim repete o que fez com o Coliseu do Porto. Se lá, a vontade da população, juntamente com a elite cultural e uns mecenas, conseguiram devolver o magnífico espaço à Cidade Invicta, cá não se passa o mesmo. Ok, houve uma reunião no Salão dos Bombeiros. Mas onde estavam aqueles espinhenses preocupados há, não vou mais longe, dois meses atrás? Quando a sala estava fechada a sete chaves, ninguém se preocupava com a “não-utilização” do espaço. Olha, era mais um para ali encostado. Quando surgiu alguém com o arcaboiço (leia-se capital financeiro) para reabrir o CineTeatro, caiu o Carmo e a Trindade.

Também não concordo com a actual ocupação, mas também não me conformava com a não-ocupação do espaço. Espero para ver em que é que ficamos. Diz-se que a Câmara pode intervir, pois a IURD não tem os documentos necessários para a prática religiosa. Se não tem, porque raio é que alguém deixou sequer que eles começassem a funcionar? Estranho. A não ser que, talvez, para a  Câmara, o espaço não seja assim tão essencial.

Outro evento cultural: Espinho Beach Party. Fantástico. Se até a Torreira e o Furadouro têm Beach Parties, porque raio não haviamos nós também de ter? Parecia tudo encaminhado para o sucesso: cartazes afixados, tenda montada, apoios de peso (Sic Radical). E à última, a Câmara diz: “Não não, que isso não pode ser”. As razões para a negativa podem ser encontradas aqui. Infelizmente, é mais um caso em que a Cultura e a cidade ficam a perder. Goste-se ou não, é um evento cultural numa cidade excessivamente amorfa e camarariamente depedente. E até aqueles que querem promover alguma coisa diferente com o apoio da Câmara, como eu, passam por vergonhas que desmoralizam qualquer um.