Contexto

Summer of Sam

Revi, nestes últimos dias, o filme Summer of Sam, do realizador norte-americano Spike Lee. O filme, de 1999, conta com John Leguizamo, Adrien Brody e Mira Sorvino nos papéis principais e retrata o ano de terror de “Son of Sam”, serial killer que colocou a “cidade que nunca dorme” com uma dose considerável de pesadelos. Apesar de se intitular como sendo um filme sobre os assassinatos que ocorreram em Nova Iorque entre 1976 e 1977, a câmara de Spike Lee acompanha mais o dia-a-dia de uma comunidade italo-americana do Bronx. O filme é bom, enquadra-nos numa cidade que tanto tem de violenta como de fascinante e culturalmente em polvorosa. Tudo isto num país onde os serial killers são um caso crónico: Son of Sam, Unabomber, Ted Bundy, Zodiac, Charles Manson, só para referir alguns. Possivelmente, são reflexos de uma sociedade única, como é a norte-americana, de uma sociedade regida por padrões morais flexivos, por uma comunicação social poderosa. E também da época. Hoje, acho que não seriamos capazes de viver o que as pessoas das décadas de 60, 70 e mesmo 80 viveram. Não que não haja serial killers, que os há, mas porque parece que a sociedade perdeu a garra, a revolta. Perdeu-se a energia de ir para a rua, sem medo dos rótulos. Hoje queremos ganhar, ver os nossos filmes e séries e perder tempo na Internet. Convivemos com o que não está bem e desde que isso não nos chateie muito, não nos importamos.

Essencialmente, olho para aquelas décadas e penso em como os dias devem ter sido.