Contexto

Optimus Alive! ’08 leva rock a Oeiras

Já tivemos o Rock in Rio, o SBSR já passou pelo Porto e hoje arranca em Oeiras o Optimus Alive ’08 (e o SBSR em Lisboa, não esquecer). O que quer dizer que a época de mega-festivais de música está de regresso. É incrível assistir ao proliferação de eventos deste género em Portugal, coisa impensável há, digamos, 10 anos atrás, onde tinhamos um Vilar de Mouros intermitente (aliás, em 1998 não houve edição, só no ano seguinte); Paredes de Coura, na sua sexta edição, com a presença de Red House Painters, Zen e Tindersticks, entre outros (facto: o bilhete para os três dias custava 20€, longe dos 80€ dos dias de hoje); o Sudoeste, no ano em que os Portishead elevaram Portugal aos céus, com uma actuação, diz-se, inigualável (preço, 32,5€); e o SBSR, na extinta Praça Sony, em plena Expo 98, com uns Spiritualized.

Ora, de três grandes passamos para uma imensidão. Em tempo de anunciada crise, haverá capital suficiente que aguente isto tudo? E digo capital, com duplo sentido. Este ano, o SBSR voltou ao Porto após muitos anos de ausência. Voltou frouxo, infelizmente. Fazer um Acto na Invicta com nomes tão medianos como os que se apresentaram no Parque da Cidade é, no mínimo, deselegante. Senão, vejamos: os ZZ Top não arrastaram uma multidão, como se imaginaria; os Jamiroquai não editam um álbum desde 2005; os Morcheeba jogam em terrenos muito secundários. Se olharmos para o Acto lisboeta, há frescura, há nomes de peso e há artistas com obra nova para mostrar: temos os Slayer e os Iron Maiden, temos o Beck, os Duran Duran e até o Mika. Fazer por fazer, mais vale deixar tudo em Lisboa, infelizmente. Só mais uma achega: o SBSR Porto era tão apelativo, tão apelativo, que os James optaram por trocá-lo pelo festival Marés Vivas, em Gaia, até esse mais coerente e forte.

Depois, temos o caso do Alive, realizado em Oeiras e a começar numa…quinta-feira. Ora, quem queira ir até lá para ver um cartaz tão forte e eclético como o de hoje, ou mora em Lisboa, ou está desempregado, ou pode tirar sexta-feira como dia de férias, ou então fica em casa, como eu. É pena. Já que é para fazer os festivais lá por baixo, ao menos que se faça à sexta-feira.

Enfim…